quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O SERVIDOR PÚBLICO SEM SALÁRIO E A FALTA DE ESPERANÇA QUE AFETA A TODOS


Começar um texto falando de falta de esperança lembra até aquelas mensagens cafonas que insistem
em continuar existindo e circulando. Mas quero alardeá-los sobre alguns fatores decorrentes (ou ainda não) desta situação caótica que parece estar longe de acabar:

  • A crise e a falta de salário não é um problema exclusivo do governo do Estado do RJ. Várias prefeituras do território fluminense faliram e seus servidores estão sem receber há meses. Na cidade de Mesquita, inclusive, o prefeito simplesmente sumiu (sumiu mesmo!) faltando alguns dias para terminar seu mandato no mês de dezembro/2016;
Servidores do RJ protestam.
fonte: site g1.com.br

  • Polícia, bombeiros, inspetores penitenciários, professores, profissionais da saúde... esses servidores sem salários deveriam deixar a população em polvorosa. Cadê os protestos? Essa passividade chega a ser irritante. Aliás, o descaso da população carioca regado a samba e carnaval foi denunciado por mim em um vídeo que está circulando no Facebook e que foi repostado aqui. O egoísmo é gigantesco. Ninguém parece se importar;

  • Com os profissionais supracitados sem salário, desmotivados e sem recursos básicos para o exercício do trabalho, o caos será apenas uma questão de tempo. O Rio de Janeiro tornar-se-á um ambiente propício para a desordem. O pandemônio que ocorre nas praias cariocas é só a ponta do iceberg. Se nada for feito vem mais por aí.

É triste! O mercado de trabalho é horroroso para a maioria dos que buscam emprego nele: cada vez mais exigente e menos indulgente. A remuneração é pífia, ridícula. E o emprego público, outrora tão sonhado por muitos, já não é mais garantia nem de salários em dia e nem de estabilidade. Para quem estudou horas e perdeu noites de sono para conseguir uma vaga e hoje ficar sem saber quando irá receber o salário que faz jus é desolador. 

Os problemas sociais oriundos desta crise podem tornar o Rio de Janeiro um lugar insuportável. Já pararam para pensar se os policiais cruzarem os braços? Se os médicos resolverem todos parar? É desesperador só de imaginar. Pouco podemos fazer, mas se solidarizar já é um bom começo. E cair no samba enquanto essa desgraça toda está em curso não me parece nada solidário. Até porque quem vai garantir a segurança no carnaval? Repito: Estamos à beira do caos.

A culpa disso também é SUA, pois tudo o que acontece no palco da história conta com um grau de permissividade de todos nós. Até quando o proletariado - que é alicerce de toda a sociedade - aceitará passivo às toneladas de hostilidades aceitando migalhas de distração dessa política de pão e circo?

O famigerado emprego público... quem imaginaria que até essa pequenina esperança está nos sendo retirada aos poucos. E a falta de esperança - fato - afeta a todos.



Assista ao vídeo:



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ANO NOVO, VELHOS PROBLEMAS!


O ano novo se inicia. Aquelas mesmas novas velhas promessas são feitas. O Réveillon de Copacabana, aqui na pseudo cidade maravilhosa, teve um grande público: cerca de 2 (dois) milhões de pessoas, com 12 (doze) minutos de explosões de fogos (dados da Riotur), um pouco menos que o ano anterior devido à crise financeira que assola o nosso estado (calma, eu sei que a queima de fogos é bancada pela prefeitura+setor privado).

Mas... crise? Que crise? Quem liga para os milhares de servidores do estado que estão
Réveillon de Copacabana: mais de 2 milhões de pessoas!
amargando sem receber os salários em dia? As praias estão cheias. Os bares idem. Quem liga para o aumento da violência, dos homicídios dolosos, dos roubos e da sensação de insegurança que só aumenta? E a educação que vai de mal a pior? A saúde então... nem se fala. Tomara que você nunca precise de uma unidade de emergência pública na madrugada: as chances de não ser atendido(a) são grandes.



Mais um ciclo se inicia: ano novo, velhos problemas. Manchetes novas, rostos velhos... Antigos conhecidos em novos escândalos que vêm à tona, e os mesmos problemas de sempre. A música Perfeição, da banda Legião Urbana (lançada em 1994) nunca foi tão atual.

Mas... Puxa! Quanto pessimismo! Não é hora de pensar nisso. Aliás, mês que vem é fevereiro! E o que temos em fevereiro? O carnaval! A festa do povo... Quatro dias de folia. E em 2017 o carnaval acabará - ironicamente - no dia 1º de março, aniversário da cidade do Rio de Janeiro! Tomara que nesta quarta-feira consigam pelo menos juntar as cinzas e tentar seguir a vida adiante. Afinal o ano começa somente depois do carnaval, não é o que dizem? 

A impressão que tenho é que, quanto maiores os problemas, maior o nível de alienação. Fazem a maior festa entre o dia 31/12 e 01/01, como se todos os nossos problemas resolver-se-ão nesta virada. Ninguém liga. Mesmo. Quem se importa se agora o pobre irá trabalhar até morrer sem conseguir se aposentar? Pobre... eu? Que viagem! Dá licença... Deixa eu ir ali sambar e ser feliz. 

Feliz 2017! Feliz ano novo.


 O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. (Ec 1:9)